| São Cipriano
conta com quatro associações — a Comisão
Fabriqueira da Paróquia, a Banda de Música “A
velha”, a Banda de Música “A Nova”
e a Associação Desportiva, Recreativa e Cultural
de São Cipriano. A nível de Desporto é
de salientar que o primeiro Campo de Futebol em São Cipriano
só foi construído em 1984. Actualmente os habitantes
desta freguesia podem desfrutar de dois campos de jogos. Nesta
localidade existem, como já foi referido, duas bandas
musicais. Ambas as filarmónicas têm levado longe,
com o melhor brilhantismo, o nome da sua terra e do concelho
de Resende. A Banda “A Velha” foi fundada em 1840
e provavelmente foi fundada pelo Padre António Pinto
Monteiro, pároco encomendado de São Cipriano.
A Banda “A Nova” surgiu em 1881, quando o lugar
do antigo mestre da “Velha”, que tinha viajado para
o Brasil, foi tomado por outra pessoa. Durante muito tempo houve
grande rivalidade entre as duas bandas de música, chegando
mesmo a haver cenas de pancadarias em algumas festas. Actualmente
tudo decorre com civismo e respeito e tanto uma como outra são
o orgulho das gentes de São Cipriano e de Resende. Ainda
no âmbito da cultura e do lazer, é possível
encontrar sala de espectáculos, onde se promovem conferências,
cinema, teatro e dança e as escolas de música
das já referidas bandas. No que diz respeito ao alojamento,
a freguesia não dispõe de unidades de alojamento.
A nível de restauração, a freguesia
possui três cafés.
Como principais pólos de atracção desta
freguesia destacamos as
pontes românicas do rio Cabrum e vários parques
naturais, característicos do ambiente natural desta
região.
É de referir ainda as Cascatas da Fírveda. O
nome “Fírveda” é de origem desconhecida
mas pode relacionar-se com o verbo ferver, dado que se trata
de quedas de água do Cabrum (água que parece
ferver). Segundo o Prof. Dr. Albino de Matos, pode ter vindo
do latim “Férvidus” por metátese
das vogais. Os montados à volta das Cascatas possuem
uma exuberante vegetação.
Hoje em dia o acesso a São Cipriano é feito
através da Estrada Nacional nº 222.
Qualquer visitante poderá ainda contemplar o rico
património arquitectónico desta freguesia, destacando-se:
Igreja de São Cipriano
Grandioso na sua construção e harmonioso
no seu conjunto, este templo data do século XVIII.
A torre desempenada, a cantaria perfeita e os pináculos
elegantes são características da maneira de
construir daquele século. Vários documentos
escritos confirmam a datação da igreja. O Padre
Mário Leão, num artigo do boletim “Beira
Douro” de 1957, afirmava que a data da sua construção
seria entre 1750/1800. O Padre Alberto Pereira Cardoso, na
sua “Monografia de São Cipriano”, informou
que a construção do templo foi finalizada no
ano de 1743.
O interior da igreja apresenta um comprimento de 32 metros,
com uma largura, na nave, de 8,25 metros e de 6,50 metros
na capela-mor. O tecto tem a forma de berço e é
de madeira de castanho pintada. As paredes, de cal branca,
têm um alto lambrim de azulejo azul. O chão é
assoalhado com tacos na capela-mor e com tábuas na
nave, com um passadiço no meio em granito. Na capela-mor,
para além dos dezoito cadeirais que lhe dão
quase aspecto de catedral, há um lindíssimo
retábulo barroco com três pares de colunas salomónicas,
encimado pelas armas reais portuguesas da época de
fabricação da talha. O trono termina em baldaquino,
ornamentado com dois “Serafins”, e destinado à
exposição solene do Santíssimo Sacramento.
A porta do Sacrário tem como ornato eucarístico
uma Sagrada Custódia. Na banqueta do altar existem
quatro pares de castiçais de madeira, dourados, da
época do retábulo. A imagem de São Cipriano
está do lado direito do trono. Do lado oposto está
a imagem de São Bernardo. No arco cruzeiro, em pequenas
mísulas, estão duas imagens muito valiosas:
a do Papa S. Martinho I do nosso lado esquerdo, e a do Papa
S. Gregório Magno do nosso lado direito. Os dois altares
cruzeiros postos em bizel são também de talha
barroca como o altar-mor e têm a mesma origem deste:
o do nosso lado esquerdo é da Senhora do Rosário
e o do lado oposto, do mártir S. Sebastião,
padroeiro da diocese. No da Senhora do Rosário, pode
venerar-se ainda um Menino Jesus de Tamancos (madeira policromada
do século XVIII), e, no frontal envidraçado
do mesmo altar, pode ver-se a imagem do Senhor Morto, que
servia para a Procissão do Enterro do Senhor na Sexta-Feira
Santa. No altar do “Mártir” encontra-se
também duas interessantes esculturas: a de S. Bruno
do lado esquerdo, e a de Santa Cecília do lado oposto.
Para além destes, há mais três altares
laterais. Na parede do lado norte, o de S. Francisco a que
está ligada a mais importante Irmandade de São
Cipriano. É da última fase do barroco, de talha
muito simples e pintada a branco. Nele se veneram também
as imagens de S. José e a de Santa Luzia. O altar que
lhe está em frente apresenta as mesmas características.
Na parede sul, dedicado ao Sagrado Coração de
Jesus, onde se veneram também as imagens do Coração
Imaculado de Maria e de Santa Teresinha. Por último,
também do lado sul e a seguir à porta lateral
do mesmo lado, há o altar de Nossa Senhora de Lourdes,
que pertencia à Casa da Torre. De realçar ainda
a existência de um pequeno salão de reuniões
com acesso interior pela sacristia e exterior pelo adro e
um importante relógio mecânico do século
XIX, na torre, cujo mostrador é visível exteriormente.
Cruzeiro da Restauração
Ergue-se no adro da igreja e foi solenemente inaugurado
a 8 de Dezembro de 1940, para comemorar os trezentos anos
da restauração da independência de Portugal.
Torre da Lagariça (Ilustre Casa de Ramires)
Desde tempos medievais viveu na Lagariça a
família dos “Pintos”, que eram fidalgos
e senhores de Riba de Bestança, na Torre da Chã,
e do antigo Paço de Covelas, no antigo concelho de
Ferreiros. Gonçalo Martins Cochofel foi provavelmente
o primeiro senhor da Lagariça e casou nos princípios
do século XVI com D. Briolanja Pinto, da geração
dos Pintos de Covelas. Durante a Idade Média a Torre
deve ter servido como atalaia de vigia de toda a região
envolvente. Em 1610 seria pertença dos Pintos Cochoféis,
os quais procederam a obras de adaptação da
Torre para casa de residência da família. Já
no século XX a casa passou para a posse de Álvaro
de Sousa Pinto Cochofel e mais tarde para seu sobrinho Gonçalo
Alberto Cochofel.
A Casa da Lagariça deve ter sido uma “villa”
romana. O nome de “Casa da Torre” vem da existência
da antiquíssima torre, casteleja que está anexa
ao solar. O solar com a torre foi declarado “Imóvel
de Interesse público”, por decreto de 29 de Setembro
de 1977.
Esta Casa passa por ser a “Ilustre Casa de Ramires”
descrita no romance de Eça de Queirós.
Ligada a esta Casa conta-se ainda uma lenda sobre a presença
de um rei Mouro que tinha o seu Paço na freguesia vizinha
de Ramires. O Capitão-Mor da Torre da Lagariça
tentou diversas vezes afastar o rei muçulmano, mas
sem êxito. Um dia, com a ajuda de guerreiros comandados
por um Cavaleiro espanhol, o indesejável rei foi definitivamente
expulso desta região, debandando com as suas tropas
em direcção ao Porto.
Casa e Quinta do Prado
Esta quinta com a respectiva casa nobre pertenceu
também à linhagem dos “Pintos”,
originários da Torre da Chã em Ferreiros de
Tendais. A casa está dotada de capela particular dedicada
a Santa Ana e de brasão de armas da família.
No século XIX, a Casa e a Quinta pertenceram a António
Teixeira de Sousa Pinto Cochofel, filho de José Teixeira
Pereira Pinto e de D. Maria Joana Freire Sousa Pinto Cochofel,
da Casa da Torre.
Nichos e Alminhas
Ao longo da freguesia poderemos observar os seguintes
nichos e alminhas: da Lavra, de Freida, do Brejo, da Cardenha,
da Senhora da Conceição, da Portela, de Nogueira,
de Covelinhas, da Cruz do Ramalhal, da Casa Nova, de Lourêdo,
da Portela, da Quinta das Laranjeiras, etc.
Como se pode comprovar através desta enumeração,
existem vários sinais de fé espalhados pelos
caminhos da freguesia. Alguns estão hoje abandonados,
mas em compensação outros estão a ser
restaurados.
No nicho da Quinta das Laranjeiras, estão escritas
as seguintes quadras:
Quando um dia Nossa Senhora
Pela Cova da Iria passou
Dali a todo o povo português
A rezar pelas Almas instou.
Fia cristãos, de joelhos e em prece
E mãos ao Céu levantadas
Rezemos pelas Benditas Almas
Principalmente pelas mais
abandonadas.
Em 1988, Ano Jubilar de Maria, foi erigido pela freguesia,
à beira da estrada e nas proximidades da igreja, um
Monumento em honra do Imaculado Coração de Maria,
comemorativo dessa data jubilar.
TRADIÇÕES
Em São Cipriano são várias as festas
que alegram as gentes da terra. A festa em honra do padroeiro
da freguesia, a do santo mártir São Cipriano,
é celebrada a 16 de Setembro. A 13 de Junho realiza-se
a festa em honra de Santo António. Ainda no lugar de
São Cipriano festeja-se a festa do Senhor dos Aflitos,
no segundo Domingo de Agosto.
No lugar de Covelinhas realiza-se no segundo Domingo de Julho
a festa em honra da Senhora dos Prazeres.
Mensalmente, no dia 16, realiza-se uma feira na freguesia.
Em 1940 existiu em São Cipriano um Grupo Folclórico.
Foi fundado por António Pinto Ribeiro e chegou a actuar
com enorme sucesso em diversos lugares do concelho.
Em tempos existiram na freguesia dois conjuntos de música
moderna conhecidos por “Lança Chamas” e
“Trio Juvenil”.
Os trajes tradicionais da região são compostos
por croças, lenços de merino, saias e blusas
de chita para as senhoras, calças de borel e cotim
para os senhores, chapéus de palha e socos serranos.
Os habitantes usavam estes trajes durante os trabalhos agrícolas.
Actualmente cairam em desuso, sendo apenas apresentados em
desfiles etnográficos.
Os jogos mais característicos desta freguesia são
o jogo do pião, o arco, o botão, a malha, o
berlinde e a bilharda. Cada jogo tem a sua época e
ainda nos dias de hoje se praticam nas escolas e nos encontros
que se realizam no concelho.
GASTRONOMIA
A sua gastronomia é muito rica destacando-se o anho
assado com arroz de forno, o arroz de feijão com salpicão,
as papas de farinha de milho com carne de porco, a sopa de
castanhas, a bola de farinha de milho com carne de porco e
os painços de milho com carne de vinho e alho. A confecção
destes pratos tradicionais é de origem caseira, realizada
em casa dos próprios habitantes.
ARTESANATO
Os artífices de São Cipriano dedicam-se à
tamancaria e à tanoaria. São ainda manufacturadas
as molhelhas (almofadas em que assenta a canga dos bois).
Estes artigos podem ser comprados nas casas dos próprios
artífices.
Os brinquedos mais utilizados pelas crianças eram
confeccionados pelos próprios ou pelos seus pais. Destaca-se
o arco, as fisgas, o pião, as cordas e o botão.
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